sábado, 5 de junho de 2010

Aquele algo a mais...

Já chamei a atenção, neste blog, para as ações dos chamados "movimentos sociais" e como eles têm conseguido algo que a escola pública tem perdido pouco a pouco: a possibilidade de reencantar a aprendizagem. Em grande parte, o sucesso dos movimentos sociais se dá em função destes oferecerem às crianças e jovens das suas comunidades um espaço onde eles podem exercitar a escolha, a criatividade, a aprendizagem, o sucesso, a autonomia e o desenvolvimento de habilidades e a consequente auto-confiança.
Quase sempre essas ações sócio-pedagógicas realizadas por ONGs ou por voluntários, possibilitam a participação em atividades artísticas e/ou esportivas associadas às atividades escolares ordinárias (perdoem o trocadilho). Nessas outras atividades, os participantes vão experimentando o prazer de aprender, e este prazer, regido pela mudança de avaliação das próprias capacidades (sim, eu posso aprender!!!), os leva a investir com mais confiança nas aprendizagens de conteúdos escolares.
Nos dois vídeos que se seguem, veremos um exemplo de como uma escola situada em uma região com alto índice de violência transforma a sua própria realidade utilizando o jogo de xadrez como um algo a mais que vincula afetivamente os jovens à sua escola e às suas próprias possibilidades enquanto aprendiz, evidenciando ainda mais a importância da utilização de jogos de regras como situações privilegiadas de aprendizagem.



sexta-feira, 14 de maio de 2010

De "boa vontade", o inferno está cheio!

Pelo que já postei nessa página do blog, não causará surpresa saber que concordo com tudo o que o vídeo a seguir apresenta como estratégias para prevenir a violência e os consequentes fracasso e abandono escolares. Entretanto, há elementos faltantes neste especial produzido pelo Governo. É tão óbvio quanto imprescindível dizer que o professor terá dificuldades para agir de maneira preventiva, se ele não for devidamente preparado para isso. A atuação eficaz só pode ser resultado de uma formação igualmente competente. Resulta, também, de condições de trabalho, que facilitem o desempenho dos profissionais da educação. Quero, portanto, salientar, que depende muito da atuação do professor em sala de aula, a diminuição dos casos de violência, bullying, indisciplina, fracasso e evasão escolares. Mas, não depende só dele e não podemos responsabilizá-los exclusivamente pelas mazelas da nossa educação pública. Um bom trabalho, repito, requer formação apropriada, condições adequadas, remuneração justa, e não apenas boa vontade. Afinal, sabemos que, para aqueles que têm somente boa vontade, há uma ala lotada no inferno.

sábado, 8 de maio de 2010

Respeito é bom e todo mundo gosta!



Os professores, como já é sabido, têm sofrido com o exponencial aumento da violência nas escolas. Como tenho defendido em sala de aula e nesta seção do blog, as instituições de formação docente precisam concentrar esforços para que os futuros professores promovam, em sua prática pedagógica, ações preventivas e, quando necessário, remadiativas, no que tange ao aparecimento da violência escolar. No seio dessas ações, não poderia ficar de fora algo que é essencial a qualquer relação que vise ser harmônica e, principalmente, que tenha como objetivo a formação de cidadãos que sejam conscientes do seu papel para a formação de uma sociedade justa: o RESPEITO!
Infelizmente, tenho tido notícias cada vez mais frequentes, trazidas por alunos que realizam observações em salas de aula, que os professores costumam ofender, desqualificar, menosprezar e até humilhar os seus alunos publicamente. Talvez os professores não acreditem que estes também são atos violentos. Talvez, imaginem que a violência só se concretize na materialidade do gesto agressivo, principalmente quando provoca danos físicos a objetos ou pessoas.
É preciso aceitar que há violência - e uma violência covarde, se é que alguma não seja - quando aquele que deve contribuir para a promoção do potencial de crianças e jovens - e também de adultos - se vale da sua posição privilegiada para diminuir e/ou hostilizar essas pessoas. As relações professor/aluno precisam ser mais profissionais e perder esse viés do que há de pior nas relações parentais. É imprescindível que os educadores se dêem conta do efeito nefasto que produz em seus alunos, quando se dirigem a eles com ofensas ou palavras de descrédito. Afinal, respeito é bom e todo mundo gosta...

sábado, 1 de maio de 2010

Conhecer para intervir II

Os dados estão aí. Já temos um bom volume de informações sobre a violência na escola (vejam o livro da Miriam Abamovay no link da seção TEXTOS). E agora? Quais ações implementar?
As instituições formadoras de professores precisam, com urgência (!!!), dar destaque a este tema nos seus currículos. Não podemos mais ignorar o caos que se instalou nas escolas, mormente as públicas. Portanto, VIOLÊNICA JÁ nos currículos de licenciatura!!! Quer dizer... eh... Violência? Já? Ah, vocês entenderam.

domingo, 25 de abril de 2010

Sídrome de burnout.



 Eu tenho dito repetidas vezes em sala de aula, que, se o professor em formação não cuidar bem da construção do seu conhecimento, ele será um dos primeiros a sofrer com a sua falta de habilidade de gerir as suas turmas. Obviamente, não estou defendendo que a as manifestações de violência são resultado apenas da falta de competência docente. As origens podem ser mapeadas em uma diversidade de fatores como os problemas sócio-econômicos da nossa população, as (inexistentes) políticas públicas para o setor educativo, a gritante desvalorização do papel do professor, a falta de esperança na educação, etc. Contudo, não se pode deixar de lado, visto que este blog destina-se a atuais e futuros professores (bem como aos que formam e trabalham junto a eles), que a preparação para esse estado de coisas (os conflitos, a indisciplina, a violência) tem que ser mais específica. Não podemos mais lidar com a formação docente como se estes profissionais fossem tratar apenas de conteúdos curriculares relativos às tradicionais áreas do conhecimento, como língua, matemática, ciências sociais e da natureza, por exemplo. O manejo da disciplina e da convivência, a resolução de conflitos, as discussões sobre as regras, o desenvolvimento moral, são temas que precisam estar mais presentes nos cursos de formação de professores.
Não tenho dúvida que o caos que se instalou em algumas (talvez muitas) salas de aula brasileiras tem contribuído de maneira decisiva para os crescente casos de burnout entre os profissionais da educação. Por isso, continuo defendendo que, investir na própria formação é também um investimento na própria saúde...

sábado, 24 de abril de 2010

Caso de polícia?

Quem vem acompanhando a literatura situada na interseção ente a psicologia e a educação pública pôde perceber que, há algumas décadas atrás, os professores solicitavam ajuda dos profissionais da área "psi" (psicólogos, psiquiatras, neurologistas, psicopedagogos, etc.), para que estes pudessem resolver os problemas com os alunos, que não tinham solução em sala de aula. Vários estudos apontaram, inclusive, que muitos dos encaminhamentos a esses profissionais se davam sem qualquer critério objetivo. Embora esse tipo de "parceria" nefasta ainda se mantenha nos nossos meios escolares, um outro tipo de relação tem se estabelecido entre os atores escolares e a sociedade extra-muros. A escola tem buscado recorrentemente a ajuda da polícia para resolver problemas, que, na grande maioria das vezes, deveriam ser tratados dentro do âmbito pedagógico. Fica um alerta às instituições formadoras dos profissionais da educação, para que estas incluam nos seus currículos competências relativas á prevenção e resolução de conflitos, sejam estes violentos ou não.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Acolhimento...

O que me chamou a atenção nesta notícia, além da óbvia gravidade do ocorrido, foi que há um elemento em comum com a matéria postada abaixo (Questão de gênero?). Em ambos os casos, os alunos agredidos eram recém chegados às escolas. É claro que essa não pode ser a justificativa para a agressão covarde de um por muitos. Mas, se as escolas passam a observar que os seus alunos novatos estão vulneráveis, é importante montar uma estratégia de acolhimento que minimize as possibilidades de rejeição favorecendo o bom convívio e, consequentemente, a aprendizagem...